segunda-feira, 3 de novembro de 2008

JG de Araújo Jorge




Nasceu em 20 de maio de 1914, na Vila de Tarauacá, Estado do Acre. Filho de Salvador Augusto de Araújo Jorge e Zilda Tinoco de Araujo Jorge.Descendente, pelo lado paterno de tradicional família alagoana, os Araujo Jorge. Sobrinho do embaixador Artur Guimarães de Araujo Jorge, ( autor de inúmeras obras sobre Filosofia, História e Diplomacia), sobrinho neto de Adriano de Araujo Jorge , médico, escritor, grande orador, que foi Presidente perpétuo da Academia Amazonense de Letras, e do Prof. Afrânio de Araujo Jorge, fundador do Ginásio Alagoano, de Maceió.Descende pelo lado materno dos Tinocos, dos Caldas e dos Gonçalves, de Campos, Macaé, e S. Fidélis, Estado do Rio. Passou sua infância no Acre, em Rio Branco, onde fez o curso primário no Grupo Escolar, 7 de Setembro.

No Rio , realizou o curso secundário nos Colégios Anglo-Americano e Pedro II Colaborou desde menino na imprensa estudantis. Foi fundador e presidente da Academia de Letras do Internato Pedro II, no velho casarão de S.Cristovão, consumido pelas chamas muitos anos depois. Data dessa época, ainda ginasiano, sua primeira colaboração na imprensa adulta: em 1931 viu publicado o seu poema "Ri Palhaço, Ri" no "Correio da Manhã", depois transcrito no "Almanaque Bertand" de 1932.Entretanto, este como outros trabalhos desse tempo, não foram incluídos em seus livros.

Colaborou também no jornal " A Nação" ; nas revistas: " Carioca", "Vamos Ler", etc. Formou-se pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil.Em 1932, No Externato Colégio Pedro II, em memorável certame, foi escolhido o " Príncipe dos Poetas", sendo saudado na festa por Coelho Neto, "Príncipe dos prosadores brasileiros" recebendo das mãos da poetisa Ana Amélia, Presidente da Casa do Estudante, como prêmio e homenagem, um livro ofertado por Adalberto Oliveira, então " Príncipe da Poesia Brasileira".

Na Faculdade de Direito foi o fundador e o 1º Presidente da Academia de Letras, que teve como patrono Afrânio Peixoto, então professor de Medicina Legal.Foi locutor e redator de programas radiofônicos, atuando nas Rádios Nacional, Cruzeiro do Sul, Tupi e Eldorado. Em 1965, era professor de História e Literatura, do Colégio Pedro II.Orador oficial de entidades universitárias, (do CACO da União Democrática Estudantil, precursora da UNE, da Associação Universitária, etc), ainda estudante, venceu concursos de oratória. Em Coimbra recebeu no título de " estudante honorário" e fez Curso de Extensão Cultural na Universidade de Berlim.

Com irrefreável vocação política, foi candidato a vários cargos públicos. Elegeu-se Deputado Federal em 1970 pela Guanabara, reelegendo-se já para o seu terceiro mandato em 1978 . Ocupou a vice-liderança do MDB e a presidência da Comissão de Comunicação na Câmara dos Deputados.Politicamente participou sempre das lutas anti-fascistas, como democrata e socialista. Lutou, ainda estudante, contra o "Estado Novo".

Foi preso e perseguido várias vezes durante esse período . Deixou de ser orador de sua turma por estar detido na Vila Militar, sob as ordens do Gal. Newton Cavalcanti, durante todo "estado de guerra" de 1937.

Foi conhecido como o Poeta do Povo e da Mocidade, pela sua mensagem social e política e por sua obra lírica, impregnada de romantismo moderno, mas às vezes, dramático. Foi um dos poetas mais lidos, e talvez por isto mesmo, o mais combatido do Brasil.Faleceu em 27 de Janeiro de 1987.




O Poeta Fala. ( J.G. de Araujo Jorge)

- Artigo publicado na seção "VIDA LITERÁRIA", de Otto Scheneider.("VIDA DOMÉSTICA", agosto de 1956.)


"O fato de ser compreendido com a minha poesia lírica e social, é para mim a minha maior glória. Isto de dizerem que a poesia que se vende é dequalidade inferior é mágoa. Olavo Bilac, Raul de Leoni, Augusto dos Anjos, Castro Alves se vendem. Bandeira também se vende.""Trabalho em publicidade e conheço o poder da publicidade. Possogarantir que não tenho "agencia" para vender meus livros. Eles sevendem por si mesmos."


"Sou um homem sem profissão, "de 7 instrumentos", por força das circunstâncias. Tanto esscrevo anúncios, crio "Isto faz um bem !"para vender xaropes e enriquecer os outros, como dou aulas de História,ou componho um poema. Fora da Poesia, a política seria o meu rumo.Tenho cá na cachola algumas idéias que gostaria de realizar a favor dacoletividade. Certos problemas brasileiros, econômicos e administrativos, há anos me apaixonam e, infelizmente, não tenho tribuna e meios para debatê-los e concretizá-los."


"Estou cada vez mais convencido de que a liberdade tem sido uma palavra há milênios desfraldada sobre a miséria da maioria, e há três séculos manejada pela burguesia em seu proveito. Por isso acho que serlivre é não ter fome, não ter medo da vida, não viver ao desamparo, terdireito à terra, à educação, à saúde, ao trabalho, a viver com o mínimonecessário para que não seja apenas um animal explorado pelo dinheiro."

"E o resto é silêncio..."



As Chaves


Felizes os homens que tem as chaves

porque só encontram portas abertas...


Como podem tantos homens dormir

sossegados e felizes de portas fechadas,

quando essas portas se fecham para tantos homens

que ficam sempre ao relento

e nunca podem entrar?


Neste mundo de tantas portas,

quando teremos cada um, a sua chave,

e a sua hora de voltar?...

(1944)


(Poesia de JG de Araújo Jorge, extraídado livro " Mensagem" - 1966)



Vermelho e branco


O sangue vermelho

do homem branco,

do homem prêto,

do homem amarelo,

o sangue é vermelho,

é um sangue só.


O leite branco

da mulher branca,

da mulher prêta,

da mulher amarela,

o leite é branco,

é um leite só.


Deus pôs por dentro de homens

e mulheres

de aparências tão diferentes,

uma humanidade só:

- o mesmo anseio,

a mesma fome,

o mesmo sonho,

o mesmo pó;


o mesmo sangue vermelho,

da côr da vida, da côrdo amor,

e mais:

o mesmo leite branco,

da côr da paz.


(Poema de JG de Araujo Jorgedo livro – Mensagem – 1966 )

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